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Bring peace to my black and empty heart

  • Sep. 19th, 2009 at 3:24 AM


http://www.youtube.com/watch?v=RbPDhMpOTSc

"The Dancer"

He came riding fast like a phoenix out of fire flames
He came dressed in black with a cross bearing my name
He came bathed in light and the splendor and glory
I can't believe what the lord has finally sent me

He said dance for me, fanciulla gentile
He said laugh awhile, I can make your heart feel
He said fly with me, touch the face of the true God
And then cry with joy at the depth of my love

'Cause I've prayed days, I've prayed nights
For the lord just to send me home some sign
I've looked long, I've looked far
To bring peace to my black and empty heart

Ah, ah, ah
Ah, ah, ah, aaaaaah !

My love will stay 'till the river bed run dry
And my love lasts long as the sunshine blue sky
I love him longer as each damn day goes
The man is gone and heaven only knows

'Cause I've cried days, I've cried nights
For the lord just to send me home some sign
Is he near ? is he far ?
Bring peace to my black and empty heart
So long day, so long night
Oh Lord, be near me tonight
Is he near ? is he far ?
Bring peace to my black and empty heart.


PJ Harvey


Fernando Pessoa
A Outra
Amamos Sempre no Que Temos
AMAMOS sempre no que temos
O que não temos quando amamos.
O barco pára, largo os remos
E, um a outro, as mãos nos damos.
A quem dou as mãos?
À Outra.

Teus beijos são de mel de boca,
São os que sempre pensei dar, 
E agora e minha boca toca
A boca que eu sonhei beijar.
De quem é a boca?
Da Outra.
 Os remos já caíram na água,
O barco faz o que a água quer.
Meus braços vingam minha mágoa
No abraço que enfim podem ter.
Quem abraço?
A Outra.

Bem sei, és bela, és quem desejei...
Não deixe a vida que eu deseje
Mais que o que pode ser teu beijo
E poder ser eu que te beije.
Beijo, e em quem penso?
Na Outra.

Os remos vão perdidos já,
O barco vai não sei para onde.
Que fresco o teu sorriso está,
Ah, meu amor, e o que ele esconde!
Que é do sorriso
Da Outra?
 Ah, talvez, mortos ambos nós,
Num outro rio sem lugar
Em outro barco outra vez sós
Possamos nos recomeçar
Que talvez sejas
A Outra.

Mas não, nem onde essa paisagem
É sob eterna luz eterna
Te acharei mais que alguém na viagem
Que amei com ansiedade terna
Por ser parecida 
Com a Outra.

Ah, por ora, idos remo e rumo, 
Dá-me as mãos, a boca, o ter ser.
Façamos desta hora um resumo
Do que não poderemos ter.
Nesta hora, a  única,
Sê a Outra. 

Eu não sei falar de amor...

  • May. 13th, 2009 at 8:56 PM


"E soubesse eu artifícios de falar sem o dizer
Não ia ser tão difícil revelar-te o meu querer.
Timidez ata-me a pedras e afunda-me no rio
Quanto mais o amor medra mais se afoga o desvario
E retrai-se o atrevimento a pequenas bolhas de ar..."


Deolinda

Tabaco

  • Oct. 7th, 2008 at 2:10 PM


Caros amigos, iniciei a minha desabituação tabágica. Vida nova, hábitos novos!
 
Assim, este vídeo é enviado no seguimento da novidade que acabei de vos dar e faz parte de uma auto-consciencialização cognitiva que considero importante para quem quer deixar de fumar.
 
Vejam!



Amor

  • Oct. 7th, 2008 at 2:49 AM


Atirador de Facas


Arrancar as vendas 
e acompanhar, 
de olhos abertos, 
a trajetória do punhal, 
cravado em nosso corpo, em nosso peito, 
a cada amor desfeito. 

Leila Míccolis


Bordel


Ventos e horas
trouxeram-me o nada.
Sorrisos de esquina na boca
gestos pálidos
luzes néon – ainda recendendo a éter e gozo,
matei o amor.

Vássia Silveira

Welcome to oblivion

  • Sep. 29th, 2008 at 1:59 AM

Hey you.. rotting in your alcoholic shell
Banging on the walls of your intoxicated mind
Do you ever wonder why you were left alone
As your heart grew colder and finally turned to stone

Did I punish you for dreaming?
Did I break your heart and leave you crying?
Do you ever dream of escaping?
Don't you ever dream of escaping...

Pathetic oblivion
Forgotten hopes buried in your soul's lonely grave
Pathetic oblivion
Remember how you were before you locked your heart away

Did I punish you for dreaming?
Did I break your heart and leave you crying?
Do you ever dream of escaping?
Don't you ever dream of escaping...

Anathema
Forgotten Hopes

Atmosphere...

  • Sep. 17th, 2008 at 8:51 PM


Walk in silence,
Don’t walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don’t walk away.

Walk in silence,
Don’t turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Don’t walk away.

People like you find it easy,
Naked to see,
Walking on air.
Hunting by the rivers,
Through the streets,
Every corner abandoned too soon,
Set down with due care.
Don’t walk away in silence,
Don’t walk away.
Joy Division

Inconstância

  • Sep. 17th, 2008 at 7:55 PM

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca

Convergências

  • Jul. 23rd, 2008 at 2:28 PM

 

Anoitecia. Assim era não pelo passar do tempo, mas pela tonalidade azul de uma neblina espessa aquando da sua chegada. As luzes tornam-se parte do passado, à medida que o espaço vai ficando suspenso nos seus passos. O tempo esconde-se por entre limiares vividos,  encapsulados nas fendas de paredes pesadas e frias. O futuro alberga um corpo prolongado num caminho que se revela. O propósito, ainda que desconhecido no início da viagem, impõe-se pelo som das gotas que ecoam silêncios outrora conhecidos. Guarda no bolso o sentimento de pertença a um espaço que não é seu. No outro bolso, guarda a sua mão esquerda, como se assim pudesse manter a ilusão profunda de que jamais se irá perder. Percebe que, de forma intensa, o sentimento de si se imiscui com os odores a pedra húmida... apenas consegue agarrar as sensações que lhe parecem suspensas perante si, como parte de um mundo criado para garantir o sentido da sua missiva. Estava assustado. Quis parar de olhar, parar de descrever, parar de sentir... estava verdadeiramente em sobressalto. Fechou os olhos com a força que se lhe dispôs a servi-lo. A sensação de clausura entorpecia-lhe os movimentos espelhados na fuga da sua mão esquerda. Deu por si imobilizado perante um sentimento de recusa e confusão que nasceu num ponto sem retorno. Um grito estridente despertou-lhe os sentidos, revelando o vazio existente na clivagem dos espaços. Soube, ali,  que teria de decidir.   A escolha não presenteava um mundo ou outro... Ao invés, a decisão contemplava o uso das duas mãos, empunhando a coragem que lhe permitiria penetrar um local novo, criado pelo imiscuir de duas sombras.

Boca fechada

  • Jun. 30th, 2008 at 10:01 PM

Beijo


Uma batida rouca 
na porta da noite escura 
de bares fechados 
e mesas vazias 

As mesas falam, sabias? 
As cadeiras dançam 
e os copos se beijam 
quando brindam 

O teu olhar fala 
mudo, discreto e sensível 
dentro da minha boca fechada 
por medo de sorrir.

Lisa Lago

Viver

  • Jun. 19th, 2008 at 1:39 AM

Provavelmente muito conhecido... mas... adoro este texto!

"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo... Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir as minhas mãos... Já expulsei pessoas q amava de minha vida, já me arrependi por isso... Já passei noites a chorar até adormecer, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos... Já acreditei em amores perfeitos, já descobri q eles não existem... Já amei pessoas q me decepcionaram, já decepcionei pessoas q m amaram... Já passei horas em frente ao espelho a tentar descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer fugir... Já menti e arrependi-me depois, já falei a verdade e também me arrependi... Já fingi não dar importância às pessoas q amava, para mais tarde chorar quieto no meu canto... Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir... Já acreditei em pessoas q não valiam a pena, já deixei de acreditar nas q realmente valiam... Já tive crises de riso quando não podia... Já parti  pratos, copos e vasos, de raiva... Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse... Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar... Muitas vezes deixei de falar o q penso para agradar uns, outras vezes falei o q não pensava para magoar outros... Já fingi ser o q não sou para agradar uns, já fingi ser o q não sou para desagradar outros... Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz... Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava... Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali"... Já cai inúmeras vezes achando q não me iria reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando q não cairia mais... Já liguei para quem não queria apenas para ligar para quem realmente queria... Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava... Já chamei pela mãe no meio da noite fugindo de um pesadelo... mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda... Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri q não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim... Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre... Não me mostrem o q esperam de mim, porque vou seguir o meu coração!... Não me façam ser o q não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!... Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão... Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra SEMPRE! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes ... Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Tu podes até empurrar-me de um penhasco q eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!"

Agridoce

  • Jun. 13th, 2008 at 1:05 AM

 A linha que nos separa tem o diâmetro de uma bola de berlim.

Será (in)condicional?

  • Jun. 10th, 2008 at 4:03 PM

Se um dia me quiseres encontrar, procura-me dentro de mim.
Se não conseguires ver-me, experimenta olhar.
Se quiseres procurar-me, encontra o caminho dentro de ti.
Se o considerares tortuoso, espelha-o em mim.
Se sentires em mim o que sinto em ti, encontraste-me.

...

  • Jun. 8th, 2008 at 11:00 PM

Mors-Amor

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"  

Antero de Quental

...

  • Jun. 8th, 2008 at 10:51 PM

 Lágrimas

Ela chorava muito e muito, aos cantos,
Frenética, com gestos desabridos;
Nos cabelos, em ânsias desprendidos,
Brilhavam como pérolas os prantos.
 

Ele, o amante, sereno como os santos,
Deitado no sofá, pés aquecidos,
Ao sentir-lhe os soluços consumidos,
Sorria-se cantando alegres cantos.

E dizia-lhe então, de olhos enxutos;
- "Tu pareces nascida de rajada,
"Tens despeitos raivosos, resolutos;
 

"Chora, chora, mulher arrenegada;
"Lacrimosa por esses aqueductos...
"Quero um banho tomar de água salgada". 

Cesário Verde

Who are you?

  • Apr. 11th, 2008 at 1:42 AM

Se a minha imaginação pudesse tocar o real, conservava para sempre o aperto do teu braço em torno dos meus ombros.

Escolhas?

  • Feb. 7th, 2008 at 1:16 AM

Vocação de lume


Há palavras que sem te aperceberes
poisam nos lábios.
Não sabes a direcção mas decerto
vêm de sul.
Deves soltá-las.
Se o não fizeres encaminhar-se-ão
para o interior queimando com seu lume
primeiro a garganta.
Agora tens que optar.
Entre um incêndio. E outro


Antero Barbosa

Desfecho

  • Jan. 30th, 2008 at 11:21 PM

Desfecho

Não tenho mais palavras.
Gastei-as todas a negar-te...
(Só a negar-te eu pudesse combater
O terror de ver
Em toda a parte).

Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente...

E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão.
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.

Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par da teimosia.

Miguel Torga

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